A Fundação para a Competitividade Empresarial de Moçambique (FUNDEC), recebeu esta semana o Embaixador de Cuba para discutir parcerias nas áreas de formação profissional, saúde, agricultura e indústria farmacêutica.
A FUNDEC reúne líderes empresariais e associações dos sectores do turismo, hoteleiro e agricultura. A fundação actua como ponte entre o sector privado, o Governo e os parceiros de cooperação, com a missão de consolidar Moçambique como destino de referência para investimento e internacionalização empresarial.
Os valores da instituição assentam na dignidade, ética, transparência e responsabilidade. A actuação estrutura-se em três eixos: impulso ao sector privado através de reformas, aprimoramento de políticas públicas e diplomacia económica para promover a imagem de Moçambique como destino preferencial de investimento.
Um dos produtos centrais da FunDEC é o Índice de Competitividade Empresarial de Moçambique (ICEM)
Os dados mais recentes mostram que o país ainda regista níveis baixos de competitividade, mas com alguma evolução. No primeiro semestre de 2024 o índice ficou em 26,26 pontos. No segundo semestre subiu para 30 pontos, um aumento de 14,62%. Já em 2025 houve recuo: 28,12 pontos no primeiro semestre e 26 pontos no segundo, representando uma queda de 6,1% face ao semestre anterior.
A queda está ligada à baixa produtividade agrícola, fraca mecanização e limitado acesso ao financiamento. A agricultura comercial ainda é pouco desenvolvida, e os bancos financiam pouco o sector. A FUNDEC aponta ainda os efeitos das mudanças climáticas, com cheias e secas a afectarem a produção.
Os mesmos desafios aparecem na indústria transformadora: baixo investimento, acesso limitado ao crédito, défice de capital humano e exportação de matéria-prima bruta em vez de produtos com valor acrescentado. No transporte e logística, predomina o rodoviário, mas sem interligação eficiente com o ferroviário e marítimo.
As recomendações da FUNDEC passam por melhorar infraestruturas de apoio à agricultura, promover a modernização tecnológica, fortalecer cadeias de valor, atrair investimento para a indústria transformadora e integrar melhor as modalidades de transporte.
Cooperação com Cuba em foco
No encontro com o Embaixador de Cuba, a FUNDEC destacou a importância histórica da cooperação entre os dois países, especialmente na formação de moçambicanos em medicina, educação e áreas técnicas.
“Recordo as palavras de Fidel Castro: Cuba não tem petróleo, mas o petróleo de Cuba são os médicos”, afirmou o representante da FUNDEC Clesio Foia – Economista Chefe, sublinhando o impacto da formação de profissionais moçambicanos em Cuba.
A fundação manifestou interesse em ampliar a cooperação, incluindo bolsas de estudo para licenciatura, mestrado e doutoramento, e facilitar o intercâmbio entre empresários moçambicanos e cubanos. Um exemplo dado foi a marca “Corriba”, que já começa a ganhar espaço internacional e pode beneficiar de parcerias para produção e distribuição.
A FUNDEC propôs ainda apoiar a divulgação de oportunidades de bolsa e reforçar a ligação com instituições cubanas para responder às necessidades de formação identificadas em Moçambique.
Ambas as partes reafirmaram o compromisso de manter o diálogo aberto e transformar a cooperação histórica em resultados concretos para o desenvolvimento do capital humano e empresarial de Moçambique.