A Fundação para a Competitividade Empresarial (FUNDEC), reuniu-se no dia 12 de Maio, com a Agência do Vale do Zambeze, para alinhar um modelo integrado de qualificação profissional e financiamento que responda à necessidade de gerar empregos qualificados em escala.
O encontro focou-se num desafio central: sair de modelos pontuais de capacitação para um sistema que combine formação prática, certificação de competências e acesso real ao trabalho e ao financiamento, de forma massificada e sustentável.
Do “treinamento pontual” para a qualificação para o trabalho
As duas instituições concordaram que é preciso mudar o paradigma. Em vez de cursos isolados, o foco passa a ser um processo de educa ção orientado para o mercado, que reconheça e certifique as competências que os jovens já aplicam no terreno e complemente com formação técnica para elevar a produtividade.
A proposta em discussão prevê um programa de 10 dias para entrega da primeira versão do modelo. O desenho inclui:
• Formação por competências: módulos curtos, práticos e alinhados às necessidades de setores prioritários.
• Massificação qualificada: ampliação do alcance sem perder o padrão de qualidade, usando metodologias presenciais e digitais.
• Sustentabilidade: ligação directa entre formação, estágios, contratação e autoemprego.
O programa pretende igualmente consolidar soluções mais coordenadas sustentáveis e orientadas para resultados concretos, com enfoque especial nos jovens, mulheres e PMEs, contribuindo para o crescimento económico inclusivo e redução das desigualdades de acesso as oportunidades económicas. Este resulta a juncão de sinergias das iniciativas existentes e já financiada pelo Banco Mundial, nomeadamente o Projecto de Proteção Social e Resiliência Económica (SPER) implementado pelo Ministério de Género, Trabalho e Accão Social (MGTAS), o programa EAGER pelo Ministério de Juventude e Desportos e o MAIS OPORTUNIDADES sobre coordenação Técnica da Agencia do Zambeze, baseadas em reestruturações e realocações orçamentais que permitem uma intervenção imediata.
Sectores prioritários e financiamento ao empreendedorismo
Para garantir impacto económico, a formação e o financiamento serão direcionados à sectores com maior capacidade de absorção de mão-de-obra e geração de valor no Vale do Zambeze:
• Agro-negócio e indústria transformadora: agregação de valor à produção agrícola local.
• Inovação digital e serviços: soluções para comércio, logística e gestão nas capitais provinciais e regionais.
• Economia criativa, turismo e serviços de apoio: aproveitamento de oportunidades urbanas e regionais.
“Discutiu-se a necessidade de trabalhar com bancos comerciais, instituições de micro-finanças e mecanismos de garantia parcial de crédito para reduzir o risco e baixar os custos de financiamento. A ideia é desenhar instrumentos que resolvam as barreiras tradicionais: falta de histórico de crédito, garantias e literacia financeira”, explicou o Economista chefe, Clesio Foia.
Parcerias, acesso ao mercado e regionalização
O modelo prevê parcerias com o sector privado, associações empresariais, universidades e redes de incubadoras para garantir que a formação leva a oportunidades concretas de emprego e mercado. Também foi destacada a importância de criar pontes com o retalho e com cadeias de valor regionais, permitindo que jovens e PMEs acedam à mercados nas províncias e entre regiões.
A estratégia inclui ainda um olhar para as oportunidades de integração regional na zona norte e centro, aproveitando a posição do Vale do Zambeze como corredor logístico e produtivo.
A expectativa é que o modelo permita não só formar mais pessoas, mas formar melhor, e garantir que essa formação se traduza em empregos dignos, negócios viáveis e crescimento inclusivo na região.