A Multinacional francesa TotalEnergies, no dia 24 de Outubro de 2025, enviou uma carta oficial, ao presidente República Daniel Chapo, a anunciar decisão de levantar a força maior sobre o projecto Mozambique LNG, na Área 1 da Bacia do Rovuma.
Para A Fundação para a Competitividade Empresarial (FUNDEC), a recente decisão da TotalEnergies e dos seus parceiros de levantar a força maior sobre o projecto Mozambique LNG, na Área 1 da Bacia do Rovuma, marca o início de um novo ciclo de esperança e confiança para a economia moçambicana. Mais do que um simples acto jurídico, trata-se de um sinal inequívoco de que Moçambique está novamente aberto para negócios de escala global — fruto de esforços conjugados para reconstrução de um ambiente político mais estável, de uma diplomacia económica activa e de uma estratégia governamental orientada para a retoma de grandes investimentos estruturantes.
I. A génese de uma paragem forçada
Em Março de 2021, o ataque armado à vila de Palma, em Cabo Delgado, provocou a suspensão abrupta das obras do projecto de gás natural liquefeito (GNL) — uma das maiores apostas energéticas do continente africano, com um investimento inicial de cerca de 20 mil milhões de dólares norte-americanos. A TotalEnergies, operadora e principal investidora, declarou força maior, interrompendo as actividades e retirando pessoal e equipamento da zona de Afungi.
Em estreito acompanhamento, destas dinâmicas, a FUNDEC constatou que durante quatro anos, Moçambique enfrentou não apenas os desafios de segurança e reconstrução, mas também o peso de uma percepção internacional de risco acrescido. Contudo, o Governo, sob liderança do Presidente da República, Daniel Chapo, e o trabalho coordenado das Forças de Defesa e Segurança, aliados à cooperação regional, permitiram estabilizar a região e recuperar gradualmente a confiança dos investidores.
II. O levantamento da força maior — um gesto de confiança internacional
Na óptica da FUNDEC, a carta oficial enviada ao Governo moçambicano pelo CEO da petrolífera francesa TotalEnergies Patrick Pouyanné e seus parceiros, comunicando o levantamento da força maior, representa um gesto de confiança internacional no Estado moçambicano. Significa que os investidores reconhecem os progressos tangíveis na restauração da segurança, na estabilidade política e no reforço institucional.
A despeito de o reinício pleno das obras depender ainda da aprovação governamental do novo orçamento e cronograma de execução, este é um marco decisivo. Segundo fontes públicas, consultadas pela FUNDEC, a produção de 13 milhões de toneladas por ano (mtpa) de LNG deverá iniciar em 2029, com uma subida estimada de custos de 4 mil milhões de dólares face ao orçamento inicial, em virtude das medidas adicionais de segurança e da paragem prolongada.
III. O significado económico desta retoma
No entendimento da FUNDEC, o regresso do projecto Mozambique LNG não é apenas o regresso de um investimento imponente e substancial é o regresso de uma expectativa de crescimento sustentável. Estima-se que o projecto, quando operacional, possa gerar entre 5 a 8 mil milhões de dólares por ano em exportações e cerca de 600 a 800 milhões de dólares em receitas fiscais directas, dependendo dos preços internacionais e do regime contratual vigente.
Na perspectiva da FUNDEC, no médio e longo prazo, os efeitos de segunda ordem são ainda mais expressivos:
* Estímulo à confiança — O levantamento da força maior reduz significativamente o risco-país percebido, favorecendo o custo de financiamento soberano e empresarial;
* Atracção de Investimento Directo Estrangeiro (IDE) — A retoma do projecto sinaliza segurança e previsibilidade, estimulando o interesse em sectores como energia, logística, construção e serviços;
* Reanimação da cadeia de valor local — O recomeço das obras poderá gerar milhares de empregos directos e indirectos, mobilizar pequenas e médias empresas e reactivar economias locais em Cabo Delgado;
* Melhorias da balança de pagamentos — As exportações de LNG trarão fluxos de divisas robustos, reforçando as reservas internacionais e o metical.
Aliás, a FUNDEC reitera que de modo mais estratégico, a retoma do Rovuma pode também reconfigurar a posição geoeconómica de Moçambique, projectando o país como um fornecedor energético alternativo e confiável num contexto global de transição energética e reconfiguração de cadeias de abastecimento.
IV. O papel do Governo e a diplomacia económica
A FUNDEC sublinha, com reconhecimento e sentido de visão estratégica, o papel determinante do Governo de Moçambique na criação de um ambiente que viabilizou esta retoma. Sob a liderança do Presidente Daniel Chapo, o Executivo tem adoptado medidas coerentes de estabilização macroeconómica, de reforma institucional e de promoção do investimento.
Iniciativas como o Plano de Recuperação e Crescimento Económico (PRECE), o Fundo de Garantia Mútua, o Fundo de Desenvolvimento Local (FDEL) e o Fundo de Recuperação Económica têm funcionado como instrumentos de reforço da confiança e de estímulo à economia real. Esta coerência entre política económica e credibilidade institucional foi fundamental para que os investidores internacionais percebessem Moçambique como um parceiro previsível e reformista.
Ao mesmo tempo, a saída recente de Moçambique da Lista Cinzenta do GAFI reforça o quadro de confiança financeira e de conformidade internacional, reduzindo riscos reputacionais e facilitando operações bancárias e de financiamento global.
V. Desafios à frente
Contudo, a retoma da confiança não deve ser confundida com o fim dos desafios.
A FUNDEC entende que os próximos anos exigirão uma estratégia de consolidação e governação rigorosa, centrada em quatro prioridades:
* Transparência e gestão fiscal prudente — É essencial assegurar que a alocação das receitas do gás seja regida por mecanismos claros, previsíveis e com reporte público, evitando riscos de dependência e volatilidade fiscal;
* Conteúdo local efectivo — A retoma deve ser acompanhada de um plano operacional de capacitação, emprego e contratação local, para garantir que o gás se transforme em valor interno, e não apenas em exportação;
* Integração territorial e social — Cabo Delgado deve ser o epicentro de um novo modelo de desenvolvimento inclusivo, com infra-estruturas, serviços públicos e oportunidades locais que consolidem a paz;
* Governança e comunicação estratégica — É crucial que o Estado mantenha uma política de comunicação transparente e regular com os investidores e a sociedade, evitando incertezas e fortalecendo a confiança.
VI. Oportunidades empresariais e de competitividade
A decisão da TotalEnergies reacende um leque amplo de oportunidades económicas e empresariais, que, se bem aproveitadas, poderão redefinir a trajectória de desenvolvimento nacional. Entre as mais relevantes destacam-se:
* Serviços e fornecimento local: O sector empresarial moçambicano poderá beneficiar de contratos em áreas de construção civil, transporte, logística, catering, manutenção, energia, telecomunicações e segurança;
* Desenvolvimento industrial e tecnológico: A retoma do LNG cria incentivos à industrialização e ao surgimento de novos clusters produtivos ligados à petroquímica, fertilizantes, plásticos e transformação de gás;
* Infra-estruturas e finanças: Bancos, seguradoras e investidores locais podem expandir os seus serviços para responder às novas demandas de crédito, garantia e cobertura de risco;
* Empreendedorismo e inovação: Com a estabilização regional, abre-se espaço para start-ups e pequenas empresas participarem em nichos complementares, promovendo competitividade e inovação nacional.
VII. Um novo ciclo de esperança
O levantamento da força maior é, em última instância, uma vitória da resiliência moçambicana. Demonstra que, mesmo após períodos de adversidade, o país é capaz de restaurar confiança, construir estabilidade e atrair investimento de classe mundial.
Para a FUNDEC, esta nova fase deve ser encarada não apenas como uma oportunidade de crescimento económico, mas como uma oportunidade de reindustrialização inteligente, desenvolvimento territorial equilibrado e inclusão social sustentável. O gás do Rovuma não é apenas um recurso: é uma ponte para um novo modelo de desenvolvimento nacional, mais competitivo, inovador e resiliente.
Moçambique, ao virar a página da força maior, reafirma-se como uma nação que avança com confiança, que acredita na estabilidade e que aposta no futuro.
Portanto, para a FUNDEC, este é um momento-chave para articular políticas de competitividade empresarial, reforçar a ligação entre grandes projectos e pequenas e médias empresas locais e criar condições para que o tecido empresarial nacional se consolide como parceiro activo do desenvolvimento energético, e a FUNDEC continuará, com rigor técnico e sentido de missão, a acompanhar, avaliar e propor políticas que façam desta retoma um verdadeiro catalisador de fomento da expansão de segmento empresarial, ligações e conexões de negócios, crescimento e sustentabilidade empresarial, bem como crescimento desenvolvimento socioeconómico para todos os moçambicanos.
FUNDEC – Fundação para a Competitividade Empresarial
Maputo, 26 de Outubro de 2025